quarta-feira, 29 de outubro de 2008

CONCERTOS: Jonquil n'O Meu Mercedes

Nunca aqui tinha falado deles, mas os Jonquil são velhos conhecidos cá da casa, embora ainda não tenham tido grande projecção mediática. Foi, portanto, com algum entusiasmo, mas também alguma supresa, que soube da vinda da banda a Portugal e logo em dose tripla (Aveiro, Porto e Lisboa). Surpreendente foi também a adesão do público: ao Mercedes rumaram um número muito significativo de pessoas para ouvir o sexteto liderado por Hugo Manuel, ao qual se juntaram membros dos Wait For Coniston e dos Youthmovies, todos sediados em Oxford. O mote da visita era a promoção do mais recente EP, Whistle Low, mas os Jonquil têm já editados dois álbuns, Lions, de 2007, e Sunny Casinos, de 2005. Produzem uma folk de traços pop, por vezes corpulenta e abrasiva, outras mais leve e intimimista, com pontos de contacto com Beirut, Sufjan Stevens ou Animal Collective, embora com características muito próprias. Verdadeiros multi-instrumentistas - para além de guitarra, bateria e contrabaixo, tocam piano, violino, órgão, harmónica, trompete, acordeão -, os Jonquil proporcionaram uma noite de rara beleza. Nos curtos 50 minutos da actuação, tocaram todos os temas do novo EP, onde se destaca a faixa-título, já incluída no álbum anterior, mas também "Putting Name To Faces" e "So Far So Good". Para o final, reservaram a decoradíssima "Lions", à qual acrescentaram uma interessante introdução, e, no encore, de apenas uma canção, "Sudden Sun". Foi bonito, sim senhor.

>> MySpace - Jonquil
>> Foto retirada do Mediosordo

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

CONCERTOS: dEUS no Teatro Sá da Bandeira

Nem três meses separaram a gloriosa actuação dos dEUS em Paredes de Coura e este regresso a palcos nacionais. Na terça-feira passada, o Sá da Bandeira encheu para acolher Tom Barman e companhia, dois dias depois de cenário idêntico na Aula Magna, em Lisboa. E não há dúvida que estes belgas estão em grande forma. De resto, que os dEUS são uma grande banda já todos sabíamos; que têm um pequeno culto em terras lusas, onde já actuaram dezenas de vezes, também; que trazem no reportório algumas das canções que nos acompanham para todos os lados, idem aspas. Por isso mesmo, a "única" coisa que este concerto vem provar é que Vantage Point, editado em Abril, é um dos seus melhores álbuns, conseguindo mesmo a proeza de ser responsável por alguns dos pontos mais altos da noite, como "Slow", "The Architect" ou até "Smoker's Reflect".
Em comparação com Paredes de Coura, este foi sem dúvida um concerto mais contido e intimista. Alternaram-se, como sempre, momentos de grande pujança sónica ("Fell Off The Floor, Man" ou "Theme For Turnpike", por exemplo) com algumas "baladas" mais serenas ("Little Arithmetics" foi uma bela surpresa), mas foram estes últimos que acabaram por dominar a noite, sobretudo na recta final, pelo que se perdeu um pouco da força inicial. No entanto, a magnífica sala do SdB, a acústica muito acima da média e a simpatia do anfitrião tornaram a noite, no mínimo, especial. Depois de "Suds & Soda", a última canção antes do encore, não foi preciso muito para exigir um retorno ao palco. E pode-se dizer que os dEUS foram generosos: "Magdalena", "Oh Your God", a inevitável "Roses", mas sobretudo, mesmo a acabar, possivelmente o meu tema preferido deles: "Morticiachair". Muito "obrigá" e voltem sempre!

>> Fotos do concerto no Gémeos e Saltos Altos

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Hoje há junquilhos

Hoje, n'O Meu Mercedes, às 23h00. A não perder.

>> Myspace - Jonquil.

IMPORTA-SE DE REPETIR? #7


"I can understand why some people stop following this band [The Sea And Cake] closely, since on a cursory listen their records can sort of bleed into each other. But when they're playing with this kind of energy, integrating electronics into that ringing guitar strum, and Sam Prekop has the "Doo-dee-doos" working, they still do this sort of thing better than any band going."

>> Mark Richardson in Pitchforkmedia
O novo álbum dos The Sea And Cake, Car Alarm, sucessor do delicioso Everybody, já se enontra disponível nas lojas.

domingo, 19 de outubro de 2008

CONCERTOS: Os Pontos Negros no Maus Hábitos

Se tivermos em conta o que se passa lá fora, os Pontos Negros são apenas mais uma banda com tiques de Strokes e Libertines. Já se nos fecharmos no nosso pequeno rectângulo, os Pontos Negros também não trazem nada de novo, mas o buzz que se tem gerado à sua volta começa a merecer algum destaque. Apareceram na altura certa, perante uma geração que conhece de tudo um pouco, mas que tem poucas referências próprias, agarrando-se a qualquer fenómeno do qual possa fazer parte. Ontem, no Maus Hábitos, no Porto, esse fenómeno foi perceptível. Dezenas de pessoas, sobretudo adolescentes, acorreram à chamada para ver (pouco, já que o palco, ou melhor, o estrado dos M.H. permite apenas que as primeiras almas da frente observem os músicos, ficando os restantes a ver movimentos de cabeças) e ouvir o quarteto de Queluz. Com o álbum de estreia Magnífico Material Inútil lançado este mês via Flor Caveira e um EP homónimo muito afamado entre os cibernautas, os Pontos Negros trazem ainda pouca bagagem, mas sabem estar ao vivo, são simpáticos e comunicativos e tocam razoavelmente bem. Têm um conjunto de canções engraçadas, algo parecidas umas com as outras, mas muito animadas, rock'n'rolleiras e bem escritas. A plateia dançou, cantarolou, mandou os seus bitaites e, sobretudo, foi notório que todos se divertiram durante pouco mais de 45 minutos. Mais parecia um concerto para amigos, tal a informalidade e a afectivade entre banda e público. A mim, pessoalmente, deixaram-me um bocado indiferente, mas ficou claro que era uma das poucas excepções. E ainda bem.
Relembrar que Os Pontos Negros vão terça-feira abrir para os dEUS, no Teatro Sá da Bandeira, no Porto, depois de o terem feito hoje na Aula Magna, em Lisboa.

>> MySpace - Os Pontos Negros

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

TRÊS EM UM

Dois anos após o fabuloso Return To Cookie Mountain e de uma actuação inesquecível no Festival SBSR, o regresso dos TV On The Radio era por aqui aguardado com bastante afogo. Depois de escutado com a devida atenção, penso que Dear Science é um excelente álbum, diferente do que a banda nos tinha apresentado até hoje, portador de brilhantes momentos musicais, mas confesso que me soube a pouco. Ao contrário da maior parte do trabalho anterior dos TVOTR, pautado por uma grande dose de contenção e contemplação, Dear Science é um disco mais entusiástico e luminoso, onde se aposta em investidas funk, dominantes arranjos orquestrais, baterias aceleradas, sopros e metais festivos, sintetizadores indiscretos. No entanto, a meu ver, se por um lado se dá um passo em frente, por outro perde-se alguma consistência (consistência essa que era absolutamente inabalável em Return To...). As 6 primeiras canções são extraordinárias, sobretudo a sofisticada "Dancing Choose" e a belíssima "Family Tree", mas depois disso o álbum não surpreende tanto, sendo até "Red Dress" um número perfeitamente dispensável. A mestria dos TV On The Radio continua lá, mas trata-se de um disco menos conseguido que os seus antecessores. 16/20.
>> "Dear Science", TV On The Radio (2008 - 4AD)
>>
Myspace - TVOTR


Há qualquer coisa de especial nos peixe : avião. Não é fácil dizer o quê, mas acho que tem a ver com o facto de, apesar de todas as influências e referências óbvias, haver algo de genuinamente português na música destes bracarenses. 40.02 é o título do álbum de estreia, editado em Setembro, depois da maquete de apresentação lançada no ano passado os ter catapultado para o topo das esperanças em bandas nacionais. E não desapontaram. Pode-se dizer que entre a maquete e o disco as diferenças não são muito avultadas - e talvez por isso 40.02 não cause tanto impacto... -, mas há um esforço, lógico e complexo, de aprimorar aquilo que já era um primor. Em 10 sólidos temas, apoiados sobretudo na tríade guitarra-baixo-bateria, mas recorrendo também a caixas de ritmos e algumas teclas, os peixe : avião criam uma atmosfera soturna, porém agradável, onde o rock é o veículo através do qual circulam uma série de sentimos. No entanto, nada disto faria sentido sem as extraordinárias letras de Ronaldo Fonseca, cuja voz, apesar de não ser especialmente potente, atinge um emocionante falsetto. Pode não ser propriamente inovador na forma, mas se lhe juntarmos o conteúdo, 40.02 é um dos melhores álbuns nacionais editados recentemente. 16/20.
>> "40.02", Peixe : Avião (2008 - Rastilho)
>>
Myspace - Peixe Avião


Depois de audições continuas de "Crimewave" e "Knights" - a primeira, sobretudo, que conta com a participação dos HEALTH, é uma daquelas canções capazes de me elevar aos céus em três tempos -, esperava mais do álbum de estreia dos Crystal Castles. Salvaguardando o mérito de um som que se destaca pela originalidade, o duo canadiano acaba por se perder no meio de tantos temas (são 16), não se percebendo bem onde é que queriam chegar exactamente. Ora se aproximam do terreno da canção propriamente dita em temas evasivos com batidas simples adornadas com sintetizadores, samples e muita programação, ora desestruturam as formalidades musicais em deambulações próximas da experimentação em agressivas conjugações de sons agudos e fragmentados, recorrendo a vários efeitos sonoros tipo "tetris" e muitos berros e frases imperceptíveis à mistura. Apesar de alguns bons momentos e de uma sonoridade com muito estilo, o registo acaba por se repetir e prolongar em demasia. Não perdia rigorasamente nada se se retirasse pelo menos meia dúzia de faixas, sobretudo aquela última, "Tell Me What To Swallow", uma destoante balada acústica como que a preparar a ressaca depois do bombardeamento electrónico - quão cliché (mas excelente título, btw). 14/20.
>> "Crytal Castles", Crystal Castles (2008 - Last Gang)
>> Myspace - Crystal Castles

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Uma (in)oportuna canção

A Islândia está à beira da bancarrota, mas a princesa Björk resolveu gravar um tema para ajudar uma organização defensora da natureza no país do fogo e do gelo. Os media anunciaram com pompa e circunstância que "Nattura" teria a colaboração de Thom Yorke, mas a presença deste resume-se a uns murmúrios de fundo, sendo que o epicentro do tema está na fortíssima batida de Brian Chippendale, dos Lightning Bolt, que lhe confere uma grande densidade. Esta ambiência sombria é ainda reforçada pelos sintetizadores de Matthew Herbert e a electrónica do habitual Mark Bell. Impertinências à parte, trata-se de uma poderosa canção.
Resta dizer que os Lightning Bolt actuam dia 23 de Novembro na Galeria Zé dos Bois, em Lisboa, enquanto que Matthew Herbert estará no dia 10 desse mesmo mês na Casa da Música, no Porto.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Um acaso com sentido


Via Juramento Sem Bandeira, tomo conhecimento de um improvável e surpreendente dueto. Lykke Li e Bon Iver, duas das revelações do ano. De um lado, a voz quase infantil e harmoniosamente desafinada da sueca; do outro, a sensibilidade acústica de Justin Vernon e três companheiros de estrada. O encontro deu-se em L.A., cidade onde, por acaso, ambos se encontravam em digressão. Combinaram tomar um copo, mas acabaram a improvisar "Dance Dance Dance" (incluída no álbum de estreia de Li, Youth Novels). O momento ficou registado para a posteridade.
Lykke Li vai actuar em Lisboa no dia 4 de Dezembro, em local a anunciar.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Luxo electrónico

Tomei conhecimento do projecto YACHT apenas o ano passado, através da compilação Worried Noodles, onde uma série de artistas indie deram corpo e voz às letras peculiares do artista plástico David Shrigley. "I Saw You" é o tema em questão e foi uma das canções que mais me ficou no ouvido. Mais tarde vim a saber que por detrás de YACHT está Jona Bechtolt, um prodígio das electrónicas nascido nos EUA há 28 anos atrás. Tem já cinco álbuns lançados em pequenas editoras independentes americanas, fez parte dos muito recomendáveis The Blow, tocou bateria em várias bandas, incluindo a de Devendra Banhart, e tem ainda um papel activo dentro do circuito artistico norte-americano. O ano passado saiu-lhe a sorte grande: pouco antes do lançamento de I Believe In You. Your Magic Is Real, o seu álbum mais recente, recebeu um convite para partir em digressão com os LCD Soundsystem (já partilhou também o palco com os Architecture In Helsinki, Dirty Projectors, Vampire Weekend ou High Places). YACHT é, agora, uma das novas apostas da DFA Records. O primeiro lançamento na editora de James Murphy e Tim Goldsworthy é o EP Summer Song, disponível via iTunes. Esperem-se electrónicas com influências tropicais, por vezes próximas da pista de dança mais convencional, outra vezes com excelentes divagações grunge e psicadélicas.
YACHT vai estar em Portugal no próximo mês de Novembro. Dia 28 na Galeria Zé dos Bois, em Lisboa, no dia seguinte no Porto, no Plano B. A não perder.
"Summer Song", YACHT
Summer Song EP (2008)
>> Website: teamyacht.com
>> Myspace: myspace.com/yacht
>> Youtube: Y4CHT

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Tempo de Antenna Outono

Jay-Jay Johanson está de regresso. O seu novo álbum recebeu o nome de Self-Portrait - depois de um título fabuloso como The Long Term Physical Effects Are Not Yet Known, este soa um pouco banal - e será lançado repartidamente em vários locais do globo a partir deste mês até Janeiro de 2009. Entretanto, Jay-Jay iniciou já uma pequena digressão pela Europa que o trará de volta a Portugal (dia 18 de Outubro, no Centro de Artes do Espectáculo de Portalegre) e onde se espera não só que apresente as novidades do LP, mas também alguns temas da banda sonora que compôs este ano para o filme La troisième Partie du Monde, de Eric Forestier, ainda sem data de lançamento definitiva.
O primeiro single a sair de Self-Portrait chama-se "Wonder Wonders": para já parece-me mais do mesmo, cada vez mais cinzento, melancólico e instrumental, já muito distante da ruptura sonora de Antenna (2002). Não deixa, contudo, de ser uma bonita canção, ideal para acompanhar estes dias de Outono em que o frio se começa a fazer sentir.
"Wonder Wonders", Jay-Jay Johanson
Self-Portrait (2008)

sábado, 4 de outubro de 2008

DOIS EM UM

Já ninguém os livra do rótulo, sobretudo desde que a NME, que adora atirar as suas "descobertas" às feras, os colocou na capa com a tagline 'What new rave did next'. De facto, o que se passa aqui é uma grande festa, mas esta malta de Nottingham consegue alcançar um patamar muitíssimo mais interessante do que a maioria das outras simpáticas bandas da new rave. Produzido por Erol Alkan a.k.a DJ Arol - prolífero remisturador turco radicado em Londres que, recentemente, assinou a produção dos novos dos Mistery Jets e Long Blondes -, Fantasy Black Channel é, até ao momento, um dos discos mais criativos do ano. Aqui tudo é possível, a imaginação não conhece limites. Imprevisível, dramático, colorido, trata-se um trabalho de combinações improváveis, guitarras excêntricas, baterias aceleradas, electrónica tresloucada, sons esquizóides e letras estranhas. Conjugando de forma única uma série de géneros (synthpop, glamrock, electrotrash, etc.) e havendo certamente alguns pontos de contacto com outras bandas (Of Montreal, Shitdisco, We Are Wolves, Klaxons), os Late Of The Pier conseguiram criar um estilo muito próprio e que certamente vai continuar a dar que falar nos próximos tempos. 18/20.
>> "Fantasy Black Channel", dos Late Of The Pier (Parlophone - 2008)
>> Myspace - Late Of The Pier


Sobretudo se comparado com as esquizofrenias de Worst Case Scenario, o trabalho de estreia dos dEUS, editado em 1994, Vantage Point é um dos álbuns mais acessíveis destes belgas. O que não quer de todo dizer que seja um registo menor. Este é o resultado de um processo de amadurecimento da banda, que tem sabido crescer com a passagem do tempo e cuja sonoridade está cada vez mais consistente. Esperem-se, por isso, canções densas com batidas fortes e muito groove negro como "Oh Your God" ou "Is A Robot", mas também algumas baladas românticas como "Eternal Woman" ou "Smoker's Reflect". E é precisamente neste contraste entre temas mais corpulentos e poderosos e outros mais suaves e folkish que surge a verdadeira magia deste álbum. Vantage Point não é, contudo, um álbum imediato - vai-nos conquistando e envolvendo até nos deixar completamente rendidos. Resta dizer que, para os ouvidos mais atentos, há por aqui deliciosas surpresas: a voz inconfundível de Karin Dreijer Andersson, dos The Knife, em "Slow" e a de Guy Garvey, dos Elbow, em "The Vanishing Of Maria Schneider". 17/20.
>> "Vantage Point", dEUS (V2 - 2008)
>> Myspace - dEUS

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

CONCERTOS: Mary Onettes n'O Meu Mercedes

Há bandas que conseguem ir roubar sonoridades passadas e transformá-las em algo de completamente novo. Não é o caso dos Mary Onettes. E ainda bem que assim é. Estes suecos transportam-nos directamente e sem pieguices para as ambiências setentistas de uns Cure ou uns Joy Division, fazendo-nos recuar no tempo como se estivessemos a viver esses momentos pela primeira vez. Ontem, n'O Meu Mercedes, provaram não só que têm a lição muito bem estudada, mas também que se conseguem afirmar como banda com vida própria. Sob o olhar atento de uma sala pequena mas bem composta, os Mary Onettes percorreram quase todas as faixas do álbum de estreia homónimo e brindaram-nos ainda com algumas canções novas. Foi um óptimo concerto - curto, apesar dos dois encores, mas muito consistente, fluído e emotivo. Terminaram com "Pleasure Songs", cujo título é uma excelente descrição destes sons cinzentos com um suave aroma pop.
Em suma, uma noite muito bem passada na companhia destes simpáticos nórdicos, mas também do meu caro amigo Playlist e ainda do Puto, do Kraak e da Rita Maria Josefina, que tive muito prazer em conhecer, estando estes dois últimos de parabéns pela organização do acontecimento. Venham mais assim!

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Vôos sonoros


Neste torbulento recomeço do ano o tempo para escutas prolongadas é sempre escasso, mas há dois discos que têm girado por cá com bastante frequência, fazendo as delícias do autor deste blog. Em campos quase diametralmente opostos, Fantasy Black Channel, dos Late Of The Pier e 40.02, dos peixe:avião, são duas excelentes estreias discográficas. O primeiro é um trabalho surpreendente, frenético, onde o glam rock recebe uma nova roupagem electrónica, replecta de sons alucinantes e ritmos revigorantes. O segundo, apesar de não ter excedido as expectativas, cumpre-as na perfeição, reafirmando os peixe:avião como uma das novas bandas portuguesas a ter em conta, sendo este um álbum para pura degustação.

>> myspace.com/lateofthepier
>> myspace.com/peixeaviao

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

IMPORTA-SE DE REPETIR? #6

"Cada vez mais os espectáculos de Madonna são pensados para promover e agigantar o mito criado à volta da sua figura. Sticky & Sweet vive única e exclusivamente disso. E funciona. Funciona do primeiro ao último momento. Madonna é imbatível em palco. Sabe que o é e não quer deixar de o ser mesmo, ou sobretudo, aos 50 anos. Assume o estatuto de rainha da pop e de superstar (é imponente a forma como se apresenta ao público sentada no trono que conquistou), mas não esquece que está ali para trabalhar. Mais profissional é impossível."

>> Alexandra Cabrita in Actual (Expresso, 20/09/2008)

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Chamada de atenção

Convém estar atento. A Optimus e outras empresas que se têm interessado pelo patrocínio de concertos têm dinheirinho suficiente para os promover como deve ser, mas há uma série de outras promotoras empenhadas em trazer cá os nomes de que se fala, embora a palavra não se espalhe de forma tão eficaz. Assim sendo, chamo a atenção para as seguintes actuações, cujas datas e locais se encontram na barra lateral à direita:

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Clubbing de regresso

A pouco e pouco, as coisas começam a voltar ao seu normal funcionamento. Um dos sintomas disso mesmo é o regresso do Clubbing. E, como não há fome sem fartura, já foram anunciados os cartazes das duas próximas edições. Em Outubro, dia 31, vamos ter por cá a magnífica Róisín Murphy e Khan of Finland. Em Novembro, dia 14, sobem ao palco da Sala 2 os Cut Copy, que deram recentemente um fabuloso concerto no Sudoeste, e ainda os Boyz Noise. São todos muito bem vindos, sobretudo Miss Murphy, que escapou no Alive e de quem se espera um grande espectáculo.
"Movie Star", Róisín Murphy
Overpowered (2008)

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Era Uma Vez No Porto

O Plano Alternativo vai estar esta 6ª FEIRA, DIA 12 DE SETEMBRO, a passar discos no 3º aniversário do ERA UMA VEZ NO PORTO..., que vai também abrir um novo espaço (bar), o Rés-Do-Chão. A partir das 23h30. Estão todos convidados.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Tudo o que não ViMus

Apesar de ter passado praticamente despercebido, o ViMus - Festival Internacional de Vídeo Musical, 4 a 7 de Setembro, Póvoa do Varzim - já deu a conhecer os vídeos vencedores desta sua segunda edição. Não concordo especialmente com alguns dos vitoriosos, mas a lista poderá dar aso a uma interessante pesquisa no Youtube.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Girrrls do it better

O episódio de ontem de The L World, cuja 3ª temporada a RTP2 voltou a repor esta semana, trouxe consigo uma bela recordação: as Sleater-Kinney. A banda surge como convidada musical de Kit no The Planet, apresentando "Jumpers", do derradeiro The Woods (a cena pode ser vista aqui). Cerca de um ano depois, o trio feminino, quase sempre associado ao movimento riot grrrl, entrou em hiato aparentemente definitivo. Em baixo deixo o vídeo de "Get Up", excelente tema incluído no álbum The Hot Rock. Muito, muito bom. Boas, perdão.
"Get Up", Sleater-Kinney
The Hot Rock (1999)

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Música de ontem, hoje e amanhã

Eles chamam-lhe folk-electronic-gospel, eu chamo-lhe um conjunto de esplêndidas canções. Longe das revoluções técnicas e sonoras de My Life In Bush Of Ghosts, de 1981, Everything That Happens Will Happen Today marca o regresso da dupla Byrne & Eno e é, em toda a sua simplicidade, um álbum extraordinário. Como se já não houvesse provas suficientes disso, os dois senhores voltam a mostrar que, para além de serem uma referência incontornável da pop actual, continuam eles próprios a estar na vanguarda. Tal como, por exemplo, os Vampire Weekend, que têm aqui uma das suas principais influências, estas duas "cabeças falantes" conseguem soar a novo sem estarem propriamente a inovar.
O álbum pode ser ouvido online em streaming, havendo a hipótese de o comprar em vários formatos, físicos e digitais. O tema "Strange Overtones" é oferta da casa.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Cinquenta e quatro mil duzentos e cinquenta

Parece um daqueles números cantarolados pelos senhores da Santa Casa da Mesericórdia, mas é a variação percentual da venda de discos de vinil em Portugal, relativamente ao ano passado. 54250%. Os singles aumentaram 1009%. As vendas digitais 35,19%. As ilegais não são contabilizadas, mas adivinha-se que os valores sejam também elevados. Os discos, pasme-se, caíram 17,32%. Mesmo sem os números absolutos, esta notícia mais não vem do que confirmar aquilo que já todos sabemos e que nem sequer é necessário repetir pela n-ésima vez.

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Regresso de ouro

Depois do soberbo Return To Cookie Mountain, um dos melhores discos de 2006, os TV On The Radio regressam a 23 de Setembro com Dear Science. Entretanto, já se conhecem dois temas novos: "Golden Age", o primeiro single, e "Dancing Choose". Assim de repente, apetece-me dizer que são dois dos melhores nacos de música que por cá se escutaram este ano. Mas não entremos em possíveis exageros. Aquela matéria estranha de que são feitas as canções dos TV continua lá, mas as alterações são surpreendentes. Ora escutem .

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

"New York City", Brazilian Girls (2008)

Assim à primeira vista, o título do novo álbum dos Brazilian Girls, New York City, pode parecer uma escolha algo preguiçosa. Mas não é. De facto, a banda está sediada na Big Apple, mas as suas origens, tal como as suas influências, estão espalhadas um pouco por todo o mundo. Todos os seus elementos são originários de partes diferentes do globo (Sabina Sciubba, a vocalista, nasceu em Itália, filha de mãe italiana e pai alemão, viveu em França e na Áustria, tendo posteriormente assentado em Brooklyn; Didi Gutman, teclista, é argentino e Aaron Johnston americano), provêm de diferentes meios artísticos, da fotografia ao cinema, e as suas referências estilisticas vão do jazz à new wave, da bossanova à electrónica, do dub à pop. Assim sendo, só uma cidade como Nova Iorque poderia descrever tão bem a essência multicultural do grupo. Para além disso, foi em Manhattan que os Brazilian Girls, graças a uma residência semanal no Nublu, ganharam visibilidade e despertaram o interesse da Verve Forecast, a sua editora até hoje. Incluindo este, já gravaram três álbuns e três EPs e têm ganho uma crescente notoriedade internacional, não só devido ao ecletismo musical que lhes abre as portas a uma grande diversidade de públicos, mas sobretudo pela presença ao vivo da sensual e enigmática Sabina Sciubba, conhecida pela sua exoberância em palco.
New York City
surge, então, depois do lounge sofisticado da estreia homónima (2005) e da incursão por electrónicas mais densas e dançáveis em Talk To La Bomb (2006). O novo trabalho tem um pouco dos dois mundos, embora a evolução seja mais do que evidente. Trata-se de um álbum muito mais heterogéneo do que os seus antecessores, com uma apuradíssima noção de canção e onde se percorrem territórios não antes explorados. O multilinguismo, porém, continua lá, sendo uma das principais marcas do grupo e, portanto, espere-se que a poliglota Sabina mude constantemente a língua em que canta, passando do inglês para o francês e para o espanhol sem que quase demos por isso. A grande mudança do álbum prende-se com aposta acertada num lado mais orgânico e instrumental. Olhe-se, por exemplo, para a percussão dominante em "St. Petersburg", para a parada sinfónica de contornos circenses que é "Berlin" ou para a lindíssima balada acústica "L'interprete". As electrónicas, contudo, continuam a ter um papel preponderante e resultam especialmente bem quando se atacam os órgãos e os sintetizadores, como na fortíssima e contaginante "Losing Myself" (digna sucessora de "Jique") ou na absolutamente delirante "Ricardo". Outros pontos altos são, também, "Good Time", uma alegre e colorida canção pop de se lhe tirar o chapéu, cheia de palmas, coros e assobios, "Internacional", uma volta ao mundo em 6 minutos, onde se percorre o nome de várias cidades com cânticos orientais à mistura e a frenética "Noveau Americain", esta muito na linha de Talk To La Bomb. A única nota negativa vai para a faixa de encerramento, "Mano De Dios", uma deambulação quase mântrica que acaba por não fechar o álbum da forma mais eficaz. No entanto, é apenas um pequeno senão no meio de tanta coisa boa.
Concluindo, New York City não é apenas o melhor álbum dos Brazilian Girls, mas também um verdadeiro bálsamo revitalizante, replecto de energia, sensualidade, canções irrepreensíveis e uma grande riqueza musical. É um daqueles growers que, a cada escuta, revela novos e entusiasmantes pormenores. 17/20.

New York City, dos Brazilian Girls
Edição: 5 de Agosto (Verve Forecast)
Faixas: St. Petersburg, Losing Myself, Berlin, Ricardo, Strangeboy, I Want Out, L'interprete, Good Time, Internacional, Noveau Americain, Mano de Dios
Website: braziliangirls.info
Myspace: myspace.com/braziliangirls
Youtube: Entrevista, Jique, I Want Out @ Nublu

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Música no coração

É mais um dos muitos casos de filmes que não chegam sequer às salas de cinema nacionais, passando directamente para o mercado de DVD. Chama-se Once (em português, No Mesmo Tom) e esta semana tive oportunidade de o ver. Trata-se, muito resumidamente, de uma história de amores condicionados, passada na Irlanda, onde os protagonistas, dois cantautores oriundos de mundos muito diferentes, cujos nomes nunca chegamos a saber, se conhecem nas ruas de Dublin e, juntos, embarcam num delicioso e improvável processo de gravação de uma maquete. Na realidade, as duas personagens são interpretadas por Glen Hansard e Marketa Irglova, também eles músicos, sendo o primeiro líder dos The Frames, uma banda irlandesa cujo baixista é John Carney, ou seja, o realizador do filme. Não é que a música seja propriamente extraordinária, o argumento forte ou as filmagens exímias, mas é tudo tão sincero e genuino que rapidamente somos contagiados por este verdadeiro musical dos tempos modernos, onde são as canções que acabam por desvendar alguns mistérios da narrativa. O tema em baixo, "Falling Slowly", vencedor do Óscar para a melhor canção original, no ano passado, ganha uma nova vida depois de verem o filme. Se por acaso apanherem Once por aí... está mais do que recomendado.
"Falling Slowly", Glen Hansard & Marketa Irglova
Festival de Sundance 2007

Importa-se de repetir? #5

"Rock'n'roll needed something to rebel against. Whether that was a stifling '50s mainstream culture, a disastrous war in Vietnam or the record industry itself was immaterial. Without an evil, oppressive establishment, rebellion is just so much jerking off. The tension generated by creative artists working for inherently life-sapping monolithic corporate shitmongers informed the careers of some of the greatest musicians of the rock era: Neil Young, Tom Petty, Paul Westerberg, Kurt Cobain, Eddie Wedder."

>> Phil Sheridan in Magnet Magazine (Summer 2008)
Adenda: Vale a pena ler o texto completo, intitulado "Sympathy For The Devil", incluído na crónica The Back Page da edição de verão da Magnet.

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

FESTIVAIS: Surf Fest '08

Numa decisão algo precipitada, o sossego das minhas férias foi interrompido para uma deslocação não programada ao Super Bock Surf Fest, em Sagres, no Algarve. Se não conhecem o local, deixem-me que vos diga que é possivelmente um dos sítios mais estúpidos para se realizar um festival em pleno Verão. Não só os acessos e o estacionamento são péssimos, como se trata de uma das mais ventosas (e frias) zonas do nosso querido país. Assim sendo, não só os corpos desnudos da rapaziada vinda da praia sofriam com as condições meteorológicas, como os próprios artistas se deparavam com um adversário inesperado. Adiante. A ideia principal era matar saudades dos Massive Attack, mas, devido ao preço convidativo e uma relativa proximidade do local onde me encontrava, lá se comprou bilhete para os dois dias. Aproveitei, então, para rever pela segunda vez este ano José González e assistir à festarola de Emir Kusturika e a No Smoking Orchestra. O resto, com o devido respeito, passa-me completamente ao lado.

>> 1º dia: 14 de Agosto

Apesar do lançamento do novo álbum de originais continuar a ser consecutivamente adiado, os Massive Attack decidiram este Verão regressar aos palcos, pelo que esta era uma oportunidade única, não só para os voltar a ouvir, mas também para dar uma espreitadela para o que aí há-de vir. A espera pelo concerto foi longa e o corpo estava enregelado, mas o espectáculo que se seguiu mais do que acalentou o frio que já chegava à alma. Com uma grandiosidade visual (uma das peças fundamentais do espectáculo é um grande painel horizontal que tanto serve para iluminar o palco como para fazer circular textos, notícias e citações, surpreendentemente traduzidas para português) e uma pujança sonora cada vez mais consistentes, os Massive tiveram uma actuação assombrosa. Para além dos temas inevitáveis ("Teardrop", "Unfinished Sympathy", "Safe From Harm", "Angel", etc), foram ainda apresentados 7 excelentes temas novos, densos e sombrios como se quer e que tranquilizam as expectativas sobre o futuro da banda. Fortes foram também as presenças vocais de Horace Handy (que boa surpresa vê-lo), Yolanda Quarty (não fazendo esquecer Shara Nelson, tem uma excelente voz) e Stephanie Dosen (aqui a sombra de Liz Fraser paira de forma mais intensa, mas não esteve mal). Apesar de uma demasiada e dispensável carga política - único ponto negativo, embora inevitável, já se sabe -, sem dúvida um concerto para guardar na memória.

>> 2º dia: 15 de Agosto

Apesar de já o ter visto este ano no Porto, no Sá da Bandeira, foi com prazer que voltei a assistir a um concerto de José González. O local não era o mais indicado e o vento também não ajudou, mas, ainda assim, González tornou a espalhar magia com a sua guitarra, proporcionando momentos de pura beleza. O alinhamento foi mais ou menos o mesmo da sua estreia em Portugal, trocando a penas a cover de "Heartbeats", dos The Knife, por "Love Will Tear Us Apart", dos Joy Division. É sempre um prazer ouvir este que é, quanto a mim, um dos melhores cantautores da actualidade.

Com um concerto de intervalo de uma banda que sinceramente não me recordo do nome - sei apenas que foram mandados embora do palco pela organização do festival -, entrou em cena Emir Kusturika e a No Smoking Orchestra. Já todos sabiamos para o que íamos e os senhores, de facto, arrumam a um canto qualquer Gogol Bordello que por aí ande. Não vale a pena estar ali com uma pose crítica, porque a palavra de ordem é diversão e foi precisamente de (mais uma) grande festa que se tratou. Ainda assim, e ao contrário da maioria das suas cópias, a No Smoking Orchestra tem excelentes músicos e instrumentistas que, para além de entreterem, conseguem começar e terminar uma canção. Nota positiva para a interacção com o público, que literalmente faz parte do espectáculo - os "números" e os "jogos" são praticamente sempre os mesmos (a Julieta, o violino gigante, a guitarra rotativa, etc.), mas proporcionam sem dúvida os melhores momentos da noite. Resta dizer que depois da "Pitbull Terrier" viu-se muito nariz partido com um sorriso na cara.

sábado, 23 de agosto de 2008

FESTIVAIS: Sudoeste '08

O Sudoeste é aquilo que toda a gente sabe: um grande encontro social para jovens onde os rapazes loiros e bronzeados tentam, através de uma mistura explosiva de álcool e drogas, seduzir as meninas esbeltas e bem torneadas, e vice-versa. A música é apenas a banda sonora para aventuras mais ousadas. Ainda assim, é sempre possível ver por lá alguns bons concertos. O ano passado, por exemplo, enquanto no palco principal se passeavam manus chaos e outros que tais, assistiu-se, com calma e espaço, na tenda secundária, a excelentes actuações de Patrick Wolf, Of Montreal, Noisettes, Camera Obscura, ...Trail Of Dead ou The National. Este ano os nomes que me prendiam a atenção eram mais escassos e, como tal, optei por uma deslocação estratégica nos dias 8 e 10 de Agosto.

>> 2º dia: 8 de Agosto

Colocar os Tindersticks a actuar no palco principal do Sudoeste é um daqueles erros de palmatória que qualquer promotor deveria evitar. Naquele espaço, naquele horário e naquelas circustâncias, como já era previsível, a actuação deste ingleses provocou um enorme êxodo para a zona da alimentação, tal era o fosso entre as motivações do público e da banda. Mas não se pode querer que os Tindersticks sejam aquilo que efectivamente não são. E, sendo assim, os senhores fizeram o que tinham a fazer, servindo-nos uma dose massiva de belas canções baladeiras e depressivas, bem orquestradas e sempre marcadas pela voz inconfundível de Stuart Staples. Contudo, conhendo um pouco do reportório do grupo, penso que havia margem de manobra para um alinhamento ligeiramente mais colorido. Podem voltar, com certeza, mas tranquem-se numa sala onde as lágrimas façam sentido.

Seguiram-se os Goldfrapp. Confesso que Felt Mountain foi e é um álbum importante para mim e, mesmo que o duo nunca mais tenha voltado à excelência do debute e Seventh Tree seja um disco falhado, tinha uma grande vontade de os ver ao vivo pela primeira vez, depois de desperdiçadas algumas oportunidades. Infelizmente, desse primeiro trabalho, apenas "Utopia" - e escusado será dizer que foi o melhor momento de todo o espectáculo. O alinhamento, de resto, foi demasiado previsível: os singles novos, os singles antigos e uma ou outra coisa para encher chouriço. Ficou claro que o álbum novo não dá com nada, sobretudo quando se tenta encaixar "Satin Chic" e "Monster Love" ou "Oh La La" e "Caravan Girl". Não se pode, porém, dizer que tenha sido um mau concerto, porque, com este novo disco para promover, era complicado fazer-se melhor. Termiraram em beleza dançante com "Train" e "Strict Machine", tocaram bem, souberam entreter, a Alison é uma deusa e eu se pudesse ia já para a cama com ela, mas, fica a certeza de que há muito mais e melhor música do que aquela que foi apresentada.

Os Chemical Brothers sabem entreter grandes multidões como poucos. Não só têm grandes hinos de música electrónica para dar e vender a noite toda, como sabem também entreter o olho através de impressionantes projecções de vídeo e de luz. Eu, pessoalmente, não gosto de dar o meu pézinho de dança em locais tão grandes e povoados e admiro mais a actividade instrumental dos Chemical do que propriamente os seus dotes de disco jóqueis, mas reconheço que festas como aquela não se vêem todos os dias. Entreteve a saída até ao carro.

>> 4º dia: 10 de Agosto

O meu 2º e último dia de Sudoeste começou bem ao som dos portugueses Vicious Five, no palco Planeta Sudoeste. Com um punk rock acelerado mas muito acessível, os lisboestas animaram as escassas centenas que ali estavam para abanar a cabeça. Embora um pouco repetitivo para o meu gosto, foi um concerto bem enérgico e divertido. Seguiram-se os Junior Boys que, apesar de vários problemas técnicos e algumas dificuldades de comunicação, cruzaram muito bem sons pré-programados, guitarra e bateria, proporcionando belos momentos de plácida electrónica. Mas a grande actuação da noite foi, sem dúvida, a dos Cut Copy. E se o novo álbum In Ghost Colours me parece algo difuso e disperso, ao vivo, toda aquela mixórdia de estilos ganhou forma, cor e brilho. Não há muito mais a dizer, apenas que os rapazes têm indiscutivelmente talento e uma grande capacidade para arrebatar uma plateia.

Por fim, Franz Ferdinand. Na minha ingénua cabeça era complicado uma banda que tem algumas das melhores canções pop deste século dar um concerto esquecível. Mas foi mesmo isso que aconteceu. Não apenas por culpa deles, reconheça-se. O início desastroso, que levou a duas saídas de palco devido a falhas totais e parciais do som nos primeiros minutos da actuação, foi um verdadeira facada nas altas expectativas. Acrescente-se a isto uma mosh absurda precisamente no local onde me encontrava, o que me obrigou a deslocar por várias vezes de posição e ainda as carradas de pó que se levantou, tornando o ar irrespirável. No que à música diz respeito, a falta de energia de Alex Kapranos e companhia era perfeitamente notória, pelo que o concerto, apesar do imenso profissionalismo da banda, foi um mero desfilar de grandes êxitos, praticamente em modo automático. Destaque apenas para as canções novas que revelam uma forte inclinação para as teclas e sintetizadores, embora não se dispensem as famosas guitarradas.

Foi algo desiludido com os senhores de Glasgow que abandonei o recinto, mas a festa proporcionada pelos Cut Copy umas horas antes até que compensou o fracasso dos Franz Ferdinand. Para o ano há mais e certamente nestes moldes de ir e vir no mesmo dia, já que a paciência para aquelas mentes "positivas" é cada vez mais escassa.

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

De regresso

Depois de uma férias bem passadas - que incluiram uma passagem pelo Sudoeste e ainda pelo SBSF, de que falarei em posts posteriores - estou de volta à carga, pronto para retomar a actividade deste pequeno blog. Até já.

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Beautiful Summer

Ainda mal chegado de Paredes de Coura e já de partida para o Sudoeste. Desta vez, estarei pela Zambujeira apenas dia 8 e dia 10 de Agosto. Depois, seguem-se umas férias por tempo mais ou menos indeterminado um pouco mais abaixo daquela zona do país. A todos um grande abraço e até daqui a umas semanitas.
"Can We Start Again", Tindersticks
Simple Pleasure (1999)

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

MIL PALAVRAS #8

Tricky
(The Wire, 2008)

terça-feira, 5 de agosto de 2008

FESTIVAIS: Paredes de Coura '08

Mais um ano, mais uma edição do Festival Paredes de Coura, o tal festival "alternativo" que, durante quatro dias em trezentos e sessenta e cinco possíveis, coloca no mapa esta pacata localidade do norte do país. Não vai ser um daqueles anos memoráveis cujas camisolas oficiais serão orgulhosamente desfiladas por aí - como as de 2005 -, mas será um ano para recordar dois grandes concertos: Primal Scream e dEUS. O resto, mais tarde ou mais cedo, vai para a gaveta do esquecimento.

>> 1º dia: 31 de Julho

Por razões que só a entidade que reserva bilhetes saberá, não consegui assistir aos três primeiros concertos do dia: Bunnyranch, X-Wife e The Bellrays. Pessoas que tenho em muito boa conta disseram-me que os portugueses estiveram bem e que os Bellrays deram um espectáculo do caraças. Quanto aos Mando Diao, o primeiro concerto a que assisti, se querem que vos diga, não me lembro de grande coisa. Acho que não estiveram mal, mas muito bem também não estiveram com certeza, caso contrário recordar-me-ia. Penso que o triste espectáculo que se seguiu retirou-lhes qualquer hipotético protagonismo.

Os Sex Pistols foram tudo aquilo que já vi que se disse por aí. Provocaram a revolta dos próprios punks que por lá andavam e esperemos que nunca mais cá ponham os pés - nem aqui nem em lado nenhum. São umas verdadeiras carcaças ambulantes, gordos e arrogantes, tocam tão bem/mal como há trinta anos atrás, mas estão totalmente descolados do mundo em que vivem. Um dia mais tarde posso dizer que ouvi "Anarchy In The UK" e "God Save The Queen" numa bela noite de verão, mas que sentido é que isso faz?

Em after-hours, destaque para um excelente set do DJ Amable, que soube entreter de forma irrepreensível a multidão que por ali se juntou para dar um pézinho de dança, passando praticamente tudo aquilo de que se tem falado recentemente.

>> 2º dia: 1 de Agosto

Os The Rakes souberam estar, tocando com muita entrega alguns temas dos seus dois álbuns. Mas, àquela hora, para se deslumbrar é preciso muito mais do que um concerto conseguido. Ainda assim, foi provavelmente a melhor das bandas a actuar nas quatro tardes. Seguiram-se os The Sounds, que provaram definitivamente que não valem um tostão furado. Vivem apenas das pernas da vocalista, sendo que musicalmente são quase uma nulidade. Não só a maior parte das músicas são francamente más como eles próprios não as sabem tocar. Ainda assim, "Painted By Numbers" e "Tony The Beat" entreteram os ouvidos menos exigentes.

Os Editors, apesar de previsíveis, estiveram bem. Alternaram temas do desiquilibrado An End Has A Start, que ao vivo funciona bem melhor do que em disco, com os grandes êxitos de The Back Room, como "Bullets", "All Sparks" ou "Munich". Tom Smith tem uma boa presença, mas à banda falta alguma coisa para além de um conjunto de boas canções.

Os Primal Scream deram um espectáculo do tamanho da sua própria dimensão, inteligente, estruturado, com princípio, meio e fim. Começaram por apresentar temas mais recentes, nomeadamente excelentes escolhas saídas do novo Beautiful Future, onde esclareceram que é o rock que lhes corre nas veias, e foram progredindo, sempre em crescendo, através dos momentos-chave de uma já longa carreira, para uma grande revisitação do melhor que o psicadelismo electrónico nos deu até hoje. Ficou muito claro que toda aquela diversidade musical nada tem de incongruente - ao vivo, tudo faz sentido. Uma extraordinária lição de música.

Os These New Puritans pareceu-me que deram um concerto igual ao do Clubbing de Maio na Casa da Música - até a camisola/armadura de Jack Barnett era a mesma - embora tivesse faltado a presença da muito afável Sophie Sleigh-Johnson. Tocaram outra vez de forma consistente, mas fiquei com a sensação de que a actuação resultou melhor em sala fechada.

>> 3º dia: 2 de Agosto

Os Teenagers, que eu até acreditava que tinham algum potencial, foram um desastre. Numa curtíssima actuação conseguiram estragar as 4 ou 5 boas canções que têm no álbum Reality Check, nomeadamente a rodadíssima "Homecoming", que deu origem a um momento peculiar em que - depois de Quentin Delafon ter tentado em vão que um grupo de raparigas portuguesas subisse ao palco para fazer o coro feminimo - uma menina esteve junto da banda a dançar e a fazer que cantava. Muito bonito, mas a música, meus senhores, onde está?

Quanto aos Mars Volta, respeito muito, tocam todos muito bem, mas por mim passo.

Os dEUS, que têm um pequeno culto por cá - algo que se sentia no ar e que proporcionou ao concerto uma aura muito especial - tiveram também uma actuação inesquecível, onde não só voltaram a mostrar que são músicos excepcionais, como também nos brindaram com um excelente espectáculo visual de alucinantes jogos de cor e de luz. À excepção de uma ou outra love song, como a belíssima "Nothing Really Ends", a banda terminou praticamente todos os temas em catarse instrumental, em momentos emotivos de grande intensidade. "Slow", "The Architect" e "Smoker's Reflect", do recém-editado Vantage Point, funcionaram muitíssimo bem ao vivo. Uns senhores.

Os Wraygunn, sobretudo Paulo Furtado, são excelentes entertainers. No entanto, tiveram um péssimo arranque e só lá mais para o fim é que as coisas se compuseram. O Tigerman lá fez o seu número de circo, atirando-se para cima da plateia, que vibrou com aquela proximidade, mas, pessoalmente, todo aquele aparato não me deslumbra. Já os vi em melhor forma.

>> 4º dia: 3 de Agosto

As Au Revoir Simone, que no ano passado lançaram o fascinante The Bird Of Music, tinham tudo para proporcionar um fim-de-tarde mágico. Mas as três meninas, sempre muito simpáticas e angelicais, com as suas teclas e sintetizadores, enterraram-se em palco e foi notório que a coisa funciona muito melhor em disco. Apresentaram dois ou três temas novos - um dos quais muito bom -, mas excelentes canções como "Sad Song", "Dark Halls" ou "A Violent Yet Flamable World" perderam muito do seu interesse. Já para não falar que uma delas - a que estava ao centro, julgo eu - canta, portanto... muito mal. Na sua ingenuidade, devido à reacção efusiva do público da frente, disseram que tinha sido provavelmente o melhor concerto de sempre. Partindo do princípio que não há qualquer tipo de ironia maliciosa por detrás daquelas faces doces, só se pode concluir que são muito pouco exigentes com elas próprias.

O Tributo A Joy Division foi tão mau, tão mau que não quero sequer comentar, por pena.

Biffy Clyro e Thievery Corporation, não, obrigado.

Entre as duas actuações anteriores houve ainda Lemonheads - reconheço que conheço muito pouco deles - e um concerto estranho, muito estranho. Arrancaram bem e com alguma força, sendo que depois os elementos da banda abandonaram o palco, ficando apenas Evan Dando, de guitarra em punho, diante de uma plateia pouco receptiva, a entoar melodias de travo mais folk. Interromperam uma canção ainda no seu início, sairam inesperadamente do palco, mas rapidamente regressaram para um último tema. Algo não correu bem ali, mas não foi propriamente um mau concerto. A música era boa.

O último concerto a que assisti foi o de Caribou, no palco secundário. Excelente actuação, por sinal. Com uma entrega fora do comum, o músico canadiano mais três outros elementos, atacaram as baterias e as guitarras como se não houvesse amanhã, num momento que aliou o rigor do prog a um certo experimentalismo noise. Não conhecia, mas fiquei com muita vontade de conhecer.

Seguidamente, e pela última vez, abandonei o recinto do Festival. Ontem regressei a casa, aproveitei para recuperar forças e cá estou de volta. É verdade que a maior parte dos concertos não passou sequer do medíocre, mas valeu muito a pena pelas duas bandas que referi e ainda uma ou outra agradável surpresa.

quarta-feira, 30 de julho de 2008

PdC

Em vésperas de rumar a Paredes de Coura, relativamente agradado com o cartaz e com boas expactativas para alguns concertos, despeço-me aqui até segunda-feira. Fiquem com esta grande canção.
"The Architect", dEUS
Vantage Point (2008)

terça-feira, 29 de julho de 2008

Louder, Louder!

As "descobertas" recentes dos No Age e dos HEALTH têm-me levado a vaguear pelos meandros do circuito noise da prolífera cidade de Los Angeles. Entre os enúmeros projectos locais destaco um que me tem despertado especialmente o interesse: as Mika Miko. São 5 raparigas de LA, habituais do The Smell e que têm partilhado palcos com gente como Abe Vigoda, os Black Lips ou os já referidos No Age. Formaram-se em 2003, distribuiram uma série de EPs e CDRs, mas só em 2006 lançaram o seu primeiro longa-duração (que é mais um curta-duração, dados os seus escassos 20 minutos), C.Y.S.L.A.B.F. O ano passado editaram o EP 666 e a palavra começou a espalhar-se, sobretudo na internet, mas também pelas suas estrondosas - dizem - actuações ao vivo. Têm um punk peculiar, caótico, barulhento, catártico, mas simultaneamente alegre, divertido e colorido, onde por vezes é difícil distinguir cada uma das curtíssimas canções, que raramente ultrapassam o minuto e meio. Absolutamente recomendáveis, mas não aconselháveis a ouvidos sensíveis.
"Business Cats", Mika Miko
C.Y.S.L.A.B.F. (2006)
>> Myspace: myspace.com/mikamiko
>> Website: mikamiko.tk
>> Youtube:
Capricorinations, Capricorinations Live, Joggins Songs Live
>>
Editora:
postpresentmedium.com e killrockstars.com

segunda-feira, 28 de julho de 2008

DOIS EM UM

Quando uma banda tem mais de 20 anos de existência e quase duas mãos cheias de álbuns editados, sendo que alguns deles acabaram por marcar gerações (o mais unânime será Screamadelica, os outros variam consoante os gostos), o lançamento de um novo trabalho acaba sempre por sofrer com as comparações. No entanto, apesar do resto, Beautiful Future, o nono LP dos Primal Scream é um excelente disco, daqueles que, mesmo não defenindo caminhos, se simpatiza de forma quase imediata. Depois da inconsequente divagação rock'n'roll de Riot City Blues (2006), Beautiful Future é-nos apresentado como uma incursão pop do grupo escocês - para tal terá contribuído a trupe sueca reunida pelo produtor principal, Björn Yttling, e ainda as participações mediáticas já habituais nos seus álbuns (neste caso, Lovefoxxx, Linda Thompson e Josh Homme). Assim sendo, o álbum não defrauda as expectativas, sendo um belo conjunto de canções com um forte sentido melódico, destacando-se das anteriores sonoridades da banda, mas reunindo em si alguns elementos vintage, tais como a alma rock e um certo negrume electrónico. Com excepção de "Zombie Man" e "Necro Hex Blues" - temas algo deslocados e dispensáveis - estão aqui incluídas faixas que com certeza marcarão a carreira dos Primal Scream, como "Beautiful Future", "Can't Go Back", "The Glory Of Love" e "I Love To Hurt (You Love To Be Hurt)". 16/20.
>> "Beautiful Future", Primal Scream (B-unique - 2008)
>> Myspace - Primal Scream


Um pouco como os Primal Scream com Screamadelica, Tricky terá sempre de assistir ao confronto de cada novo álbum com Maxinquaye. Knowle West Boy, apesar de consideravelmente diferente, poderá agradar aos mais entusiastas do seu marcante debute de 1995. Mas, mais do que isso, e será essa a sua maior relevância, Knowle West Boy é um regresso aos bons discos, depois de um período de 9 anos marcado por um esquecível Blowback (2001) e um tenebroso Vulnerable (2003). Tricky volta, aqui, às suas origens em Bristol, ao seu bairro de Knowle West, o "ghetto branco", como gosta de dizer, onde viveu e cresceu. As primeiras seis canções, sobretudo a tríade "Veronika", "C'mon Baby" e "Council Estate" não só são um alívio, como são também alguns dos melhores pedaços de música desde a época de ouro de Tricky Kid: os cornos que tem dentro da sua cabeça crescem uma vez mais, depois de adormecidos, e o génio negro torna a fazer das suas, construindo e desconstruindo melodias como só ele sabe, estilhançando guitarras, endiabrando baterias, soltando vozes. A segunda parte do disco não é tão contorbada como se quer, mas a fasquia continua alta e "Cross To Bear", por exemplo, é um dos mais belos momentos do álbum; já a cover de "Slow", de Kylie Minogue, poderia muito bem ter ficado na gaveta, tal como as mais vulneráveis "Far Away" e "School Gates". Que continue assim, mas mais enlouquecido, de preferência. 15/20.
>>
"Knowle West Boy", Tricky (Domino - 2008)
>> Myspace - Tricky

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Look at us but do not touch

Enquanto por estes lados roda o muito interessante novo álbum dos Primal Scream, Beautiful Future, proponho um recuo de 6 anos para relembrar uma cover da banda escocesa que, na altura, lembro-me de ouvir repetidamente vezes e vezes sem conta. Originalmente incluída no álbum Movin' with Nancy, de Nancy Sinatra, em 1967, num dueto com Lee Hazlewood, autor da letra, "Some Velvet Morning" já foi alvo de várias versões posteriores, mas será porventura este flirt entre Bobby Gillespie e Kate Moss, saído do álbum de 2002 Evil Heat, a mais extraordinária das interpretações do tema. Psicadelismo esotérico que nos transporta para um misterioso e alucinado mundo de ninfas, dragões e flores e que talvez ajude a perceber o fascínio de algumas almas pelo submundo das substâncias psicotrópicas...

Some velvet morning
When I'm straight
I'm gonna open up your gate
Some velvet morning
When I'm staight
I'm gonna open up your gate

Flowers growing on a hill
Dragonflies and daffodils
Learn from us very much
Look at us but do not touch
Phaedra is my name

Some velvet morning
When I'm straight
I'm gonna open up your gate
Some velvet morning
When I'm staight
I'm gonna open up your gate

Flowers are the things we grow
Secrets are the things we know
Learn from us very much
Look at us but do not touch
Phaedra is my name

Some velvet morning
When I'm straight
I'm gonna open up your gate
Some velvet morning
When I'm staight
I'm gonna open up your gate

Flowers are the things we grow
Secrets are the things we know

I'm gonna open up your gate

Learn from us very much
Look at us but do not touch
Look at us but do not touch
Look at us but do not touch
"Some Veltvet Morning", Primal Scream & Kate Moss
Evil Heat (2002)