quinta-feira, 7 de junho de 2007

"Brett Anderson", Brett Anderson (2007)

Começa a ser um hábito (quer dizer, se calhar sempre foi) os vocalistas de bandas que entram em período de separação, mais ou menos definitivo, lançarem álbuns a solo. Os Suede fizeram as malas em 2003. Lançaram uma compilação de singles, deram os seus concertos finais, despediram-se e seguiram em frente. Brett Anderson, o carismático líder, ainda formou com Bernard Butler os The Tears, mas a coisa não correu bem e ficaram-se por ali. No início deste ano lançou um álbum homónimo. As gravações decorreram entre o Verão de 2005 e a Primavera de 2006 e contaram com a colaboração de Fred Ball, jovem produtor norueguês ligado às electrónicas. Apesar da ajuda, este é um álbum muito pessoal: Brett não só canta, como compõe, escreve, toca guitarra e percursão. Resultado: um dos registos mais fraquinhos que por aqui se ouviram este ano.

Arriscamos dizer que Anderson estava em profunda depressão quando concebeu este álbum. E se muitas vezes a tristeza é um excepcional motor criativo, aqui surge apenas como um embaraçante estado psicológico que, com certeza, diminuiu todas as suas capacidades artisticas. A ideia principal nem era, de todo, desprezível: produzir um trabalho íntimo, que se distanciasse da sonoridade rock dos Suede, mostrando um lado muito pessoal de Brett, através de orquestrações pop delicadas e composições introspectivas. Mas o seu erro começa logo aqui. Primeiro, porque a sua voz já por sí é dificil de confundir - ao manter certos tiques vocais, torna-se praticamente impossivel dissociá-lo da banda. Depois, por que se cola a uma sonoridade acústica forçada e pegajosa, com instrumentais medíocres e rudimentares. Este é um álbum desencantado, que apela às lágrimas através de uma melancolia barata. Bom exemplo disso é o tema de abertura, e único single, Love Is Dead. Os arranjos nem são dos mais fracos (serão talvez os mais pomposos), mas o que fazer quando escutamos lamentos piegas como Nothing really goes right, nothing really flows in me ou Intelligent friends don't care in the end ou talvez ainda, pobre coitado, The telephone rings but no one ever thinks to speak of me? Não haverá ninguém que dê um abraço a este homem? E que raio lhe foi embater, profunda e dolorosamente, para escrever versos do género: One lazy morning am I gonna find Jesus in me? ou I am the dust, you are the rain / I am the needle, you are the vein?

As 3 primeiras canções ainda se aguentam-se com ouvidos piedosos. Depois disso, o álbum torna-se numa experiência, talvez não dolorosa, mas incrivelmente enfadonha. É daqueles que vai directamente para o fundo da gaveta, ganhar pó e esquecimento.

8/20


Brett Anderson, de Brett Anderson | V2
Edição: 26 de Março 2007
Faixas: Love Is Dead, One Lazy Morning, Dust And Rain, Intimacy, To The Winter, Scorpio Rising, The Infinite Kiss, Colour Of The Night, The More We Possess The Less We Know Of Ourselves, Ebony, Song For My Father
MySpace: myspace.com/brettandersonofficial

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