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sábado, 31 de maio de 2008

CLUBBING: Lightspeed Champion + Young Marble Giants + Vampire Weekend + These New Puritans

O Clubbing de ontem, em colaboração com o festival espanhol Primavera Sounds, era certamente um dos mais ansiados de sempre. Não só por incluir no cartaz 3 das grandes revelações (leiam-se hypes) deste ano - Lightspeed Champion, Vampire Weekend e These New Puritans - mas também por trazer pela primeira vez a Portugal os recém reunidos Young Marble Giants. Uma verdadeira mistura de gerações, tanto em palco como no público. Apesar de esgostado à vários meses é de louvar, contudo, um notório controlo do número de bilhetes emitidos pela organização que permite, finalmente, que se possa circular mais à vontade nos corredores da CdM e nas próprias salas.

Lightspeed Champ
ion. Com o seu grande e indiscreto gorro de esquimó, Lightspeed Champion tinha em mãos a difícil e ingrata tarefa de abrir para os Young Marble Giants, naquela que foi a primeira actuação da noite, na magnífica Sala Suggia da CdM - para mim a melhor sala nacional, a todos os níveis. Acompanhado por uma banda jovem e muitíssimo simpática - de onde se destaca o violinista, responsável pela maior marca identitária da sonoridade do grupo -, LC percorreu alguns temas do seu álbum de estreia, Falling Of The Lavender Bridge, e ainda uma ou outra canção nova (incluindo uma tocada pela primeira vez ao vivo - e a mais fraca do rol apresentado, por sinal). Apesar do inegável talento para a música, contudo, LC não é propriamente um artista extraordinário, o seu álbum não é nada do outro mundo e isso, inevitavelmente, nota-se em palco. Ainda assim, soube estar, soube entreter e fechou a actuação com uma magnífica reinterpretação do seu tema de maior sucesso, "Midnight Surprise", deixando a versão do disco a léguas de distância.

Young Marble Giants. Muito provavelmente - e a ver pelas dezenas de pessoas que abandonaram o concerto a meio - a primeira actuação dos YMG em território nacional não agradou a toda a gente. Eu cá fiquei encantado. Notoriamente envelhecidos - o baterista, por exemplo, mal se podia mexer devido a um problema nas costas -, mas portadores de uma simpatia e de uma serenidade genuina e resplandecente, a banda, formada em 1978, percorreu os temas do seu único álbum editado até hoje, Colossal Youth, e ainda nos brindaram com dois temas novos no final. Naquela pop minimalista apoiada na voz cândida da vocalista Alison Statton, no órgão de Stuart Moxham e ainda numa discreta caixa de ritmos, mas também com alguns traços de contido pós-punk, a banda mostrou porque ainda hoje é uma referência para tanta gente. Sorridentes e comunicativos - ficamos a saber que, em 1981, Moxham esteve em Portugal para receber um prémio por Colossal Youth ter sido o álbum internacional mais vendido no nosso país - tiveram uma performance iluminada e muito equilibrada. Com paragens para pequenas conversas entre cada um dos curtíssimos temas, em pouco mais de uma hora - incluindo um pequeno encore - os YMG inundaram aquela sala deslumbrante de magia e beleza. Velhos mas bons.

Vampire Weekend. Eram a grande atracção da noite, mas para minha grande surpresa foram os primeiros a pisar o palco da Sala 2 - antes, portanto, dos These New Puritans, que acabaram por fechar o Clubbing. Já aqui disse que - tal como para muitos outros e, sabe-se lá porquê, para irritação de outros tantos - os Vampire Weekend são uma das descobertas do ano para mim. Mas não me surpreenderam. Irradiam simpatia, têm inegável destreza musical, mas limitaram-se a fazer o que lhes competia - entreter -, não defraudando expectativas, mas também não as superando. Mesmo assim, este foi, de longe, o concerto mais festejado e concorrido da noite, apesar de não ter durado mais de 45 minutos - como os próprios reconheceram, também não tinham material para mais. Tocaram as decoradíssimas "Mansford Roof", "M79", "Cape Cod Kwassa Kwassa", "Oxford Comma", "One (Blake's Got A New Face)" e fecharam o concerto sob uma memorável chuva das barras fluorescentes que a Optimus distribuia à entrada.

These New Puritans. Já aqui tinha dito que ia estar de pé atrás no concerto dos These New Puritans, depois de ter escutado o fraquinho Beat Pyramid. No entanto, quanto a mim, foram a revelação desta edição do Clubbing. Apoiaram-se sobretudo nos temas mais dançáveis do LP de estreia, deixando de lado os momentos mais dispersos e desiquilibrados, numa actuação forte e que transcendeu a todos os níveis a sonoridade de estúdio, adquirindo ao vivo uma intensidade e um negrume muito mais musculados do que em álbum. Era notório que o público não estava, na sua maioria, familiarizado com os temas - à excepção da incontornável "Elvis" - e o concerto infelizmente ficou marcado por uma desnecessária mosh da rapaziada da frente que chamou a atenção dos seguranças e acabou por desviar a atenção da actuação. Mas conseguiram-me convencer, excedendo largamente aquilo que eu estava à espera. Como se sabe, às vezes até é melhor ter as expectativas em baixo para depois as rever em alta. Foi o caso.

>> Sobre este assunto noutros blogs: Ar de Rocker, Pa Lamber

sexta-feira, 23 de maio de 2008

"Beat Pyramid", These New Puritans (2008)

Começo com uma espécie de declaração de interesses. Tenho uma certa simpatia por esta onda de bandas que retomam o espírito da new rave, nomeadamente pelas Cansei de Ser Sexy, os New Young Pony Club ou até por MIA e outros que tais. Os These New Puritans não se enquadram exactamente nestes moldes, no entanto, já faz algum sentido aproximá-los de uma outra vertente deste estilo, influenciada sobretudo pelo negrume pós-punk dos anos oitenta, que de há uns anos para cá tem vindo a emergir, sobretudo na Grã-Bertanha - falo, claro está, de nomes como os Bloc Party, os Klaxons, os Maximo Park ou, mais recentemente, os Does It Offend You, Yeah? e por aí em diante. Apoiados, talvez demasiado apoiados, pelos media ingleses, estes grupos sofrem evidentemente deste excesso de exposição que os torna em verdadeiros hypes desmedidos. E, claro está, se há quem goste de criar hypes, há também quem adore desfazê-los. A música, às vezes, pouco importa. No entanto, álbuns como Silent Alarm ou Myths Of The Near Future deram-me um grande prazer na audição da altura - apesar de um certo enjôo subsequente.
E é precisamente a emoção que eu sentia ao ouvir esses discos que penso que escapa completamente a este Beat Pyramid. Composto por 16 canções, não ultrapassa, contudo, os 35 minutos de duração. Ninguém diria. Alternando as canções propriamente ditas com uma série de interlúdios - alguns a rondar os 10 segundos - o álbum parece prolongar-se por uma eternidade de confusos jogos de bateria, guitarra e sintetizador. Começa, tal como termina, abruptamente, com os tais interlúdios, compostos por sons dispersos, desintegrados. Lá pelo meio, há outros momentos assim, como "4" ou "H". Acredito que haja ali muita arte, mas, convenhamos, a coisa não resulta. Aliás, quase nada me parece fazer sentido neste álbum. Na tríade inicial "Numerology aka Numbers" - "Colours" - "Swords of Truth" o ambiente até que se compõe (as influências dos Bloc Party e dos Klaxons são aqui evidentes), mas depois disto ora se repetem as ideias iniciais ("C. 16th ±"), ora se entram nalguns confusos delírios negros, pincelados com um noise manhoso que fazem o álbum perder todo o interesse ("En Papier", "Infinity Ytinifni"). Não fosse a excelente "Elvis" e a certa altura já estariamos em Marte. Mas rapidamente se volta ao mesmo: "Mkk3" e "Costume" parecem ter sido retiradas com um pinça dos momentos mais desinspirados dos She Wants Revenge e dos Interpol, respectivamente.
Assim sendo, este "Beat Pyramid" foi para mim uma grande desilusão. Estava à espera do vigor electrónico aliado às descargas rock das bandas britânicas actuais que referi e, sim, saiu-me uma banda que em alguns momentos se debruça para esses lados - sem nunca os superar, é certo - mas, azar, saiu-me também uma banda que me parece, no mínimo, algo desorientada. Pode ser que se safem em palco no próximo dia 30 de Maio, no Clubbing, para o qual já tenho bilhete, mas é certo que de ínicio vão ter ali um espectador de nariz torcido. 12/20.

Beat Pyramid, dos These New Puritans
Edição:
21 de Janeiro 2008 (Domino)
Faixas:
...Ce I Will Say This Voice, Numerology AKA Numbers, Colours, Swords Of Truth, Dopperlganger, C. 16th ±, En Papier, Infinity Ytinifni, Elvis, £4, Navigate-Colours, H., Costume, I Will Say This Twi...
Website:
thesenewpuritans.com
Myspace:
myspace.com/thesenewpuritans
Youtube:
Elvis, Swords Of Truth