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domingo, 13 de abril de 2008

CONCERTOS: The Kills na Casa da Música

Este é um daqueles momentos pelo qual penso que qualquer pessoa que ande por estes coisas da blogosfera já passou - a sensação de que qualquer coisa que se escreva sobre uma experiência vivida não descreverá, nem de perto nem de longe, aquilo que na altura se sentiu. O concerto dos The Kills na Casa da Música foi há umas horas atrás e a única frase que faz algum sentido na minha cabeça é: que grande concerto! Foi a primeira vez que os vi ao vivo e devo dizer que tudo aquilo que se diz sobre as suas actuações é totalmente verdade: a tensão, os olhares, o toque, a paixão, a sedução. Tudo isso e mais alguma coisa que não sei bem o que é, mas que passa por um estado físico muito intenso, está lá, em doses contidas, mas está lá. Com duas guitarras apenas e uma caixa de ritmos responsável por todas as batidas que se ouvem na sala, Alison Mosshart e Jamie Hince deram cerca de uma hora e meia de concerto que mais do que provou que esta é uma das mais estimulantes bandas que por aí anda. Não sou nada bom com alinhamentos, mas posso dizer que o concerto começou com "URA Fever" e, a partir daí, fomos invadidos por um conjunto de canções que pareciam ter sido feitas à medida para tocar ali, naquele momento, naquela pequena sala. O destaque foi para o novo álbum, Midnight Boom e, por isso mesmo, o concerto teve um interessante toque dançável. "Cheap And Cheerful", claro, foi uma das mais entoadas, tal como "Tape Song" e "Last Day Of Magic", que se revelaram outros dois pontos altos. "Goodnight Bad Morning", inevitavelmente, fechou o concerto antes do encore. De No Now retomaram-se as magníficas "The Good Ones" e "No Now". As recordações de "Wait" e "Fried My Little Brains", de Keep Your Mean Side foram também recebidas com muitas palmas entusiasmadas (sobretudo a segunda). No curto encore, de apenas duas músicas, abriram com a estonteante "Love Is A Deserter" e fecharam com outra que sinceramente não consegui identificar, mas que terminou o concerto de forma esmagadora com um solo de guitarra de Jamie Hince que culminou em catarse total. Com o Clubbing completamente esgotado (não havia um único bilhete à venda desde há algumas semanas, nem mesmo para os bares), os The Kills, sem serem especialmente comunicativos com o público, já que a constante interacção entre os dois é um dos elementos chave do espectáculo, cumpriram todas as expectativas e deixaram-me completamente rendido (embora tenha ficado com a sensação de que nem todos na plateia tenham partilhado desta opinião). E pronto, não disse nada daquilo que queria, por isso aconselho vivamente a que, se não foram à CdM, não hesitem em ir vê-los para a próxima.

Quanto aos The Whip, cumpriram, sem deslumbrar, e mostraram-se atá mais eficazes ao vivo do que no desiquilibrado álbum de estreia, X Mark Destination. Ainda assim, fizeram algumas pessoas pular com "Trash", que encerrou a actuação.

sábado, 12 de abril de 2008

The good ones

Durante esta semana, para além da estreia em disco dos Foals e de Duffy, peguei numa compilação de 2006 que, vá-se lá saber porquê, me passou completamente ao lado na altura. Chama-se Monsieur Gainsbourg Revisited e é um magnífico disco de tributo a Serge Gainsbourg que conta com covers cantadas em inglês de temas do cantor francês, falecido em 1991, por artistas como Franz Ferdinand, Cat Power, Portishead, The Rakes, Tricky ou Michael Stipe. Mas como hoje é dia de Clubbing e, em particular, de The Kills na Casa da Música deixo aqui a faixa que o duo-maravilha reinterpretou para este álbum, "I Call It Art" (que, no original, se chama "Le Chanson de Slogan").
"I Call It Art", The Kills
Monsieur Gainsbourg Revisited (2006)

terça-feira, 1 de abril de 2008

"Midnight Boom", The Kills (2008)

Depois do punk cinzento e minimal de No Now (2005), eis que os THE KILLS dão um ligeiro retoque de cosmética na sua sonoridade e pintam este Midnight Boom com cores bem mais vivas e quentes do que as anteriores. Mas se muitas vezes estas mudanças trazem consigo uma certa artificialidade, os Kills conseguiram preservar intactos os seus traços identitários, sobretudo aquele rock aguerrido e carnal que faz de "VV" e "Hotel" uma das mais estimulantes duplas da actualidade. No entanto, as maiores surpresas esgotam-se logo nas duas primeiras faixas (e dois primeiros singles), "URA Fever" e "Cheap And Cheerful", que são, de facto, as grandes "inovações" deste curtíssimo álbum (não chega sequer aos 34 minutos de duração) - o primeiro revela uma interessante incursão por géneros próximos do trip-hop e o segundo é um irresistível momento ravista que quase parece um cântico de cheerleading. Os restantes temas são magníficos, mas acabam por se orientar todos mais ou menos pela mesma linha (é evidente a influência Yeah Yeah Yeahs), não surpreendendo propriamente, apesar da nova conjugação dos escassos instrumentos do costume (voz, guitarra e caixa de ritmos) que dá origem a um ambiente mais dançável e fluído. Não significa isto, porém, que Midnight Boom não seja um excelente álbum. Mais do que isso. É um álbum marcante (e altamente viviante) - será, com certeza, um daqueles que, no final do ano, quando olharmos para trás, nos vamos recordar imediatamente. 16/20.

Midnight Boom, dos The Kills
Edição: 10 de Março 2008 (Domino)
Faixas: URA Fever, Cheap And Cheerful, Tape Song, Getting Down, Last Day Of Magic, Hook And Line, Black Balloon, M.E.X.I.C.O.C.U., Sour Cherry, Alphabet Pony, What New York Use To Be, Goodnight Bad Morning.
Website: thekills.tv
Myspace: myspace.com/thekills
YouTube: URA Fever, Cheap And Cheerful

domingo, 16 de março de 2008

Midnight Affair

Este fim-de-semana Midnight Boom e Hercules And Love Affair foram os álbuns escolhidos para começar a girar na minha velhinha aparelhagem Sony, que deve estar bastante contente depois de ter passado uns dias a rodar uma imensa mediocridade chamada Made In The Dark, dos Hot Chip. Devo dizer que o primeiro, dos The Kills, apesar das poucas audições (prevêem-se mais 37296), é desde já um dos meus discos do ano. Quando ao segundo, ainda não lhe dei a devida atenção, mas parece-me que a coisa vai no bom caminho. E mesmo não sendo um especial fã da voz de Antony e daquelas constantes lamechices sobre a sua infância sofrida, confesso que a atmosfera disco de "Blind" já se entranhou nos meus ouvidos:

sexta-feira, 7 de março de 2008

MIL PALAVRAS #7

Alison "VV" Mosshart
por Marvin Scott Jarret (Nylon, 2008)

terça-feira, 4 de março de 2008

I want you to be crazy

Se URA Fever revelava algumas afinidades com o trip-hop britânico, Cheap And Cheerful, o 2º single a sair de "Midnight Boom" (editado no próximo dia 10 de Março), vem confirmar a apetência dos THE KILLS por estilos urbanos, desta feita numa linha mais dançável, que contrasta de forma evidente com aquele punk carnal de "No Now" (2005). Uma das canções do ano.